A estranha política do nojo

  • No dia 28 de Abril de 2022, visualizámos em aula, uma ted talk dada por David Pizarro, sobre a estranha política do nojo. 

Como sabemos, o nojo é uma emoção primária que normalmente implica uma sensação de repulsa ou de evitação, da possibilidade real ou imaginária, de algo que a pessoa considera repugnante, perigoso ou contagioso. Desse modo, como todas as outras emoções, este também é importante para a nossa sobrevivência, pelo simples facto de nos motivar a fazer as coisas boas e a evitar as coisas más. Como podemos ver ao longo do documentário, o nojo oferece-nos benefícios de proteção, no sentido em que nos mantém longe do que não é suposto comer, tocar, etc. 

No entanto, o assunto desta palestra centra-se num outro lado da emoção. Nesta palestra, o psicólogo David Pizarro começa por demonstrar uma correlação entre a sensibilidade a estímulos nojentos - uma foto de fezes, um odor desagradável, etc.- e o conservadorismo moral e político. David aponta para o nojo como algo que influencia as nossas crenças morais e as nossas intuições políticas mais profundas. 

Através dos estudos realizados pelos psicólogos Yoel Inbar e Paul Bloom, podemos chegar à conclusão que as pessoas que são facilmente enojadas, são aquelas que apresentam-se como conservadoras politicamente, apontando, para a maioria dos casos, pessoas que também são muito mais contra o casamento entre dois homens. 

A filósofa Martha Nussbaum realça para o facto de que, atualmente, as propriedades do nojo - a viscosidade, mau cheiro, contaminação, decomposição, podridão, etc.. - têm sido associadas a judeus, homossexuais, pessoas de classe baixa, etc.. O psicólogo David aponta para uma razão de isso acontecer. O mesmo refere que, um grupo de indivíduos compara as coisas anteriormente referidas devido a tentar ligar-se diretamente ao grupo social que não gosta. 

Quando falamos de nojo, assuntos como, preconceitos, estereótipos e discriminação, podem surgir à tona. Certamente alguma vez já ouviste alguém comentar o seguinte: "Tenho nojo dessa gente"; "Tenho nojo da política"; "Estou com nojo deste país"; "Tenho nojo da sua cor e de seu cabelo" ; "Tenho ojeriza de sua sexualidade"... Ao longo da evolução humana, cada vez mais, nós seres humanos, vamos associando/ comparando a emoção do nojo a algo que nos repulsa, como ações, símbolos e conceitos. É a partir desse ponto de vista que o estudo do nojo fica mais complexo. 

Como já dizia o psicólogo David na palestra, "quando uma coisa nojenta toca numa coisa limpa, esta coisa limpa torna-se nojenta, e não o contrário." Esta frase remete-nos para aquilo que é o medo de contaminação moral. 

Vários cientistas, já desde há muito tempo, estudam a história do nojo e no entanto, hoje em dia ainda é difícil explicar o conceito de "nojo moral". Dessa mesma maneira, foi também para mim, difícil, entender realmente a explicação central da palestra. 


Beatriz Pires 2021/2022
 
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