"The Mind, Explained" - Memory
- No dia 10 de Janeiro de 2022, visualizámos em aula, o primeiro episódio da série "The Mind, Explained", episódio esse denominado "Memory". Após a visualização, a professora pediu-nos para que realizássemos uma reflexão sobre o mesmo.
Ao longo da nossa vida, passamos por várias experiências, podendo algumas ser significativas para nós e são as memórias desses acontecimentos, que constroem a base da história da nossa vida. No entanto, estas não são gravações perfeitas, pois podem mudar e distorcer-se com o passar do tempo.
Este episódio mostra o quão importante, fundamental e desprezável é a nossa memória. Explica também o seu funcionamento e como a mesma nos pode enganar.
Hoje em dia, quando nos queremos lembrar de algo, usamos principalmente o telemóvel, para fazer uma nota rápida, criar um lembrete, enviar uma mensagem, etc... a verdade é que tentamos sempre poupar a nossa memória... mas será isso benéfico? Tendo a memória o papel de preservar o passado, porque é que as nossas memórias podem ser consideradas pouco fiáveis?
O episódio começa por apresentar casos de memórias alteradas relacionadas com eventos infelizes, tais como o dia 11 de setembro ou o dia da morte de Diana, a princesa de Gales. De alguma forma, os pesquisadores afirmam que as lembranças destes eventos estão gravados na nossa mente, mas serão elas pormenorizadas?
Melanie Mignucci, uma das espectadoras do incidente ocorrido no dia 11 de setembro, é capaz de se recordar de detalhes minuciosos, como por exemplo, onde se encontrava quando ocorreu a colisão com as torres gémeas e para onde o fumo estava a ir. Porém, as recordações que Melanie tinha desse acontecimento, já foram totalmente reconstruídas pela sua mente. Podemos comprovar isso, ao dizer que Melanie não estava em Manhattam quando a tragédia se sucedeu.
50% dos detalhes de uma determinada memória tendem a mudar dentro do prazo de um ano. Mesmo que a maioria das pessoas se convença de que está totalmente correta e confiante daquilo que se lembra. A professora de Harvard Elizabeth Phelps, a neurocientista citada neste episódio, garante que as nossas memórias não são registos absolutos, pois tendem a mudar e nós memorizamos apenas o essencial das coisas. Por isso, "como é que funciona o "lembrar" ?"
No primeiro episódio desta série, analisamos também os "campeões" da memória e os indivíduos que sofrem de amnésia. Yanjaa Wintersoul, a campeã da memória, participa em competições, possuindo atualmente, três recordes mundiais. Neste episódio, ela comprova-nos a sua capacidade, com um simples desafio - decorar 500 números em apenas 10 minutos. Talvez esta habilidade se resuma ao modo invulgar como o nosso cérebro armazena as memórias.. mas o mais surpreendente é quando o mesmo não o faz..
Henry Molaison passou por uma cirurgia em 1953, com o intuito de curar a sua epilepsia, resultando na retirada de algumas partes da amígdala e do hipocampo. Este procedimento não teve quaisquer danos a nível comportamental, mas causou uma grave perda de memória recente. Henry, era agora incapaz de criar novas memórias. Este caso acabou por envolver a neurociência, pois precisavam de tentar perceber qual era a função do hipocampo e qual a importância das memórias. A conclusão chegada foi surpreendente, pois perceberam que a falta de memórias episódicas (memórias de experiências autobiográficas, lembranças pessoais localizadas no espaço/ tempo) está relacionada com os danos causados no lobo temporal, acabando por provocar o esquecimento do seu passado e a incapacidade de imaginar o futuro.
À medida que crescemos, as nossas memórias crescem connosco, fazendo-nos ser aquilo que somos e aquilo que seremos. Analisando um gráfico que ilustra a distribuição de memórias na história de vida de um homem de 70 anos, observamos que existem muitas memórias do passado recente, mas ao retroceder no tempo, começam a falhar, chegando a haver apenas algumas lembranças da infância e nenhumas antes dos 3 anos. Surpreendentemente, identificamos um pico de memórias na adolescência e na casa dos 20 anos. Investigadores justificam esse pico dizendo que essa é a altura em que nós vivemos a nossa vida na loucura extrema.
Há uma grande chance de que, as nossas memórias de infância, já tenham sido modificadas devido à passagem do tempo e à influência de outros fatores. Para apoiar essa doutrina, o documentário aborda um tipo de memória designada de memória autobiográfica. Esta memória é baseada nas nossas vivências pessoais, isto é, em auto construções conceituais de longo prazo, incluindo crenças e autoconhecimentos.
No decorrer da vida, percebemos que existem várias pessoas ao nosso redor, que têm uma melhor/ maior memória do que outros, mas o que muitos não sabem, é que a memória é algo que é possível melhorar. Os campeões da memória revelam que viver uma vida ativa e adotar hábitos de vida mais saudáveis (tais como, evitar beber álcool em excesso, dormir o suficiente e comer bem) é uma das mais valias para ter umas recordações longínquas e precisas. No entanto, um dos truques mais infalíveis, é a meditação.
Sendo a meditação uma temática abordada no 4º episódio desta extraordinária série, é também em si um dos melhores métodos para melhorar o funcionamento da nossa memória. Claramente existem outras técnicas como: decorar algo e associar os objetos desconhecidos a estruturas já conhecidas, mnemónicas....
Em geral, este episódio é deveras interessante. Após a visualização do mesmo, ficámos a perceber melhor que as memórias não são lembranças concretas dos eventos da vida de uma pessoa, pondo-nos a nós, espectadores, a questionar muitas das nossas próprias memórias. Mais uma vez, esta série não me desiludiu.



