Ka-ching! Pokie nation
- No dia 7 de Março de 2022 demos início à visualização do documentário "KaChing Pokie Slot", onde acabámos a mesma posteriormente no dia 10 de Março de 2022. Após a visualização, a professora pediu-nos para que refletíssemos acerca do mesmo.
Já alguma vez se questionou acerca de como as "gambling machines" são produzidas e planeadas antes de serem expostas ao público? Pois bem, neste documentário, os especialistas da indústria, acompanhados por neurocientistas líderes mundiais, explicam o quão cuidadosamente os "Pokies" têm que ser programados para que levem os apostadores ao vício. E, simultaneamente, revelam-nos como essas máquinas funcionam nos níveis mais profundos de nossos cérebros, levando alguns pesquisadores a chamá-las de "morfina eletrônica".
Tudo, desde dos sons, às imagens que são reproduzidas, é planeado ao mínimo pormenor para que sejam desencadeadas reações de prazer nos jogadores, às quais eles são incapazes de resistir, continuando assim a jogar e, de certa forma, continuem a trazer um maior lucro às empresas. Este gasto constante de dinheiro pode trazer graves consequências a nível financeiro, social e emocional na vida pessoal do jogador.
O termo que uma antropóloga usa para se dirigir às máquinas - "morfina eletrônica", tem vindo, cada vez mais, a ter sucesso na sociedade e isto deve-se ao facto de se relacionar o vício dos jogos de apostas, ao vício de substâncias ilícitas.
Devido a ser um assunto bastante delicado, muitos preferem associá-lo e encará-lo como apenas um passatempo inofensivo no qual, apenas os elos mais "fracos", é que ficam viciados. Porém, isto é muito mais do que apenas um divertimento e há que admitir o vício do jogo.
O documentário aponta para a Austrália como o país com maior número de viciados em jogar. A Austrália tem mais máquinas e um gasto per capita mais alto do que em qualquer outro lugar do mundo. De acordo com um relatório de 2010 da Comissão de Produtividade Australiana, os australianos perdem US$ 12 bilhões por ano nos "Pokies", sendo 40% perdas de jogadores problemáticos e 20% de indivíduos a caminho de desenvolver um problema.
A questão central deste problema será: O problema está nas pessoas ou nas máquinas ?
No decorrer do documentário, vamos sendo expostos a opiniões/ conselhos de vítimas deste vício, sendo que todas apontam para um mesmo pormenor: os criadores das máquinas, através destes jogos, levam-nos a entrar numa outra dimensão de fantasia, passando por um completo "hipnotismo ilegal".
As cores, os sons, a própria ansiedade de carregar de novo no botão e a esperança de cair a recompensa, é a fonte que alimenta a compulsão e que, simultaneamente, hipnotiza os jogadores. Todo este mundo chega a ser uma forma de fuga aos problemas do mundo exterior dos indivíduos.
Será possível associar esta reação à experiência de Ivan Pavlov. Associando o cão de Pavlov aos jogadores impulsivos, os investigadores dos jogos de "Pokies", concluem que: Assim como o cão de Pavlov, que aprendeu a salivar ao som de um sino, os jogadores aprendem a associar as recompensas através do som que as máquinas reproduzem quando os indivíduos a alcançam. Sendo assim, um reforço.
A intenção da OMS, ao classificar o vício nos jogos como doença, é estabelecer critérios para que os médicos e os pacientes consigam decidir a melhor forma de tratar este vício. Pegando no exemplo de países como a China e a Coreia do Sul, que já criaram clínicas especializadas para os viciados em jogos.
Por fim, ficar viciado acontece e é preciso admiti-lo. Mesmo que o comportamento de uma pessoa viciada em jogos seja previsível para as pessoas de fora, muita das vezes, não o é para a pessoa em questão. Devemos estar atentos a alguns sinais, tais como, insônias, ansiedade, vontade descontrolada de jogar, irritabilidade, etc..
Compartilha o filme, é importante que todos tenhamos um pouco de consciência.




